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Ah, Mar... deixa de sonhar!

Mar não é lugar para aranha.
Não para uma aranha que conheço.
Acho que nunca contei essa história pra ninguém.
Será? Mas vamos lá!
Mar era o nome do aracnídeo
mais estranho que já conheci
em toda a minha vida.
Pra ele, não bastava ter apenas o nome,
pois queria viver lá, bem embaixo do mar.
O vento soprava:
- Ah, Mar... deixa de sonhar!
Mas para Mar era assim,
ele tecia planos e remendava sonhos.
Subia, descia em sua teia e nada acontecia.
Até parece que o nome de alguém
diz pra esse alguém o que ele
deve ser ou fazer.
Mar morava no décimo terceiro andar
de um prédio muito alto,
bem no centro de Belém.
O vento soprava:
- Ah, Mar... deixa de sonhar!
Mas para aquela pequena aranha
não havia outra coisa
que não fosse o imenso mar.
Mar morava em uma estante.
Entre livros, tecia ondas,
cada fio de sua teia
era uma parte do mar.
Mas certo dia, uma coisa estranha apareceu.
Deixada na estante, bem pertinho de Mar.
Tinha uma forma estranha
e quando dentro dela o vento soprava:
- Ah, Mar... deixa de sonhar!
Mar ouvia apenas o mar.
Encantado, resolveu morar ali.
E já nem se importava quando o vento
soprava:
- Ah, Mar... deixa de sonhar!
Pois ele, lá dentro, só ouvia o mar.


Por Wendell Pimenta